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quarta-feira, 17 de abril de 2013

15 dicas para pais de adolescentes



Adolescência, puberdade... A adaptação acabou e agora começam as reais mudanças no jovem. Como a própria palavra diz, adolescência (do latim "adolescere"), que significa amadurecer, agora a pessoa realmente deixou de ser criança, começa a se encontrar e se preparar para a vida adulta.
Se a pré-puberdade já é uma fase difícil, a puberdade não está atrás. A pessoa ainda passa por mudanças e as emoções ainda não estão equilibradas, tudo está mais intenso. Mas, existem certas alterações: você lida melhor pois  já se acostumou com isso, ele já começa a se entender também e se encontrar na sociedade. Porém, você ainda passará por dificuldades e dúvidas, então  preparamos algumas dicas para você entender melhor seu adolescente e saber lidar com ele. Veja:

Não confunda adolescência com puberdade. Mesmo que a puberdade ocorra na adolescência, elas não são a mesma coisa, e também não ocorrem no mesmo tempo. A puberdade marca o começo da adolescência, mas o fim de uma não significa o fim da outra.

 Piercings e tatuagens. Se ele já tinha vontade antes, agora terá mais, e se não tinha é provável que agora tenha. Essa é uma questão delicada... Você tem que mostrar para ele todos os riscos e consequências, se depois disso ele ainda quiser, somente você poderá decidir o que acha e o que fazer. Meu conselho é que, no caso da tatuagem, alerte que é algo permanente e é melhor esperar os 18 anos, já o piercing não teria tanto problema,  pois é só tirar, mas existem muitas outras questões envolvidas.
 Os hormônios. Eles não fazem somente mudanças no corpo e aparecimento de acne, mas também interferem diretamente no humor e no comportamento do jovem, que pode mudar rapidamente. A única coisa que se tem a fazer é ter paciência e compreensão.

 Grupos. Na pré-adolescência ele buscou se encaixar em grupos, e agora vai continuar acontecendo, mas ele vai encontrar amigos com os mesmos interesses e, com o tempo, formar seu próprio grupo.
 Não o julgue. Essa é a pior coisa para um adolescente, mesmo não sendo nada demais, pois em seu interior é uma coisa muito intensa, já que cada sentimento vai ao extremo para ele.

 Gravidez. Essa é uma questão muito importante, e que anda ocorrendo em grande porcentagem.  O que você deve fazer é falar com seus filhos sempre que possível sobre os riscos e as formas de evitar.
Tenham momentos juntos. Tanto uma refeição, quanto algum dia da semana que passem juntos, mas não os deixe desaparecer, assim estarão sempre próximos.

 Eduque-o para o mundo. Ele tem que saber, pois logo terá que lidar com isso. Ensine-o a lidar com frustrações, ser organizado, lidar com as pessoas, etc. Você deve dar o exemplo, conversar e até fazê-lo sofrer consequências (caso não cumpra uma ordem) para que, além de aprender para a vida, ele cumprir com o que diz.
•Elogie-o. Por menor que seja o ato ou a conquista, o jovem gosta de ser elogiado, e isso também o fará querer melhorar neste aspecto.

Castigo.  Não é só porque está "grandinho" que não deve ser castigado, pelo contrário. Se ele desobedecer alguma ordem, diga que não pode sair no fim de semana, ou tire a TV/computador pelo resto do dia e, não importando o que aconteça, seja firme. Como diz Içami Tiba: "Castigo não educa, o que educa é assumir as consequências de seus atos".

 Convívio familiar. Muitas vezes, o adolescente sai sempre, vê os amigos e etc., mas quando um famíliar o chama para sair/visitar diz que não ou inventa qualquer desculpa e fica no quarto, então tente fazer programas para que toda a família vá, como almoçar com os avós, ou cinema com tios e primos.
Agrade-o. Compre aquele acessório que sabe que ele gosta, a continuação da saga que ele lê, ou a revista que tem uma matéria do artista que gosta, assim ele sentirá que se importa e ficará mais próximo de você.

 Menarca e mudança de voz. Isso é marcante na puberdade. A menina passa pela menarca e "se torna mulher", a voz do menino vai ficando instável, até que se estabilize em algum tom e ele "se torna homem".
Bebida alcoólica. Ele terá contato com isso, inevitavelmente, e as propagandas os induzem a realmente usar, e isso não pode ser ocultado. O que você pode fazer é dizer quais as consequências disso, e sempre dar o exemplo.

 Drogas. Outra coisa inevitável, principalmente o cigarro, depois a maconha, até drogas mais pesadas. Aqui você também terá que falar as possíveis consequências que ele terá. Lembre-se de citar exemplos, isso também é muito importante.
Leve essas dicas em consideração quando lidar com seu adolescente. Lembre-se: Você já passou por isso num mundo menos complicado em comparação ao que temos hoje.

 Fonte: texto de  Tatiana Ippolito - http://familia.com.br

 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Com adolescente " do contra", é preciso aprender a dosar autoridade e flexibilidade

Bater de frente pode ser uma forma de o adolescente chamar atenção para suas necessidadesAcredite: não é só para infernizar a vida dos adultos que o adolescente insiste em contrariar as opiniões dos pais. Segundo a psicóloga Mara Pusch, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), esse é um comportamento que indica que eles estão se desenvolvendo bem, de acordo com o esperado para a fase.
“No processo de criação da identidade, o adolescente usa os pais como referência. Porém, como quer mostrar que tem seu próprio ponto de vista, a primeira reação é criticar o que quer que os pais digam ou façam”, afirma Mara. A boa notícia é que, em um segundo momento, o jovem pode voltar atrás em muitos de seus posicionamentos e acabar acatando as decisões dos adultos, depois de refletir um pouco.
Para o psiquiatra Içami Tiba, autor de diversos livros sobre educação, entre eles “Quem Ama Educa: Formando Cidadãos Éticos” (Integrare Editora), filhos que insistem em contrariar o tempo todo podem estar pedindo um pouco mais de liberdade.
“Os filhos ficam um pouco inseguros em crescer. Mas há pais que sofrem ainda mais ao constatar que eles estão mudando e continuam tratando o adolescente como se ele fosse criança", diz Tiba. Para o psiquiatra, quando o pai não faz questão de se aproximar e insiste em restringir a liberdade, sem dividir responsabilidades com o filho, uma das maneiras que o jovem encontra para chamar a atenção sobre suas necessidades é bater de frente.

Escolha os conflitos

Diante dessa situação, manter a cabeça fria e refletir sobre a postura do jovem, antes de tomar qualquer atitude, é o mais importante. Os especialistas afirmam que, para evitar conflitos que desgastem demais a relação, o essencial é discernir quando é o momento de fazer valer a sua opinião, independentemente de o jovem concordar ou não com o seu posicionamento, e a hora de ser flexível e deixar o adolescente escolher, de acordo com a vontade dele.
“Algumas questões não podem ser negociadas, como ir ao dentista ou ao aniversário de 70 anos do avô. Em outras situações, no entanto, os pais devem pensar se vale a pena entrar em um embate. Se a família vai a um churrasco qualquer, com pessoas que o jovem não conhece, por exemplo, não há nada demais em liberá-lo para sair com os amigos”, diz Mara Pusch.
Nessas horas, é fundamental que o adolescente tenha o direito de se manifestar, mesmo sabendo que nem sempre sua vontade prevalecerá. Ao manter a decisão tomada, à revelia da opinião contrária do filho, é importante que os pais sejam firmes no momento de se colocar, que expliquem a opção feita com argumentos e que estejam convencidos de que estão fazendo o melhor para o adolescente, ainda que isso vá contra os desejos dele.
“No fundo, os filhos gostam muito de saber que têm alguém que se importa com eles e se sentem seguros ao receber limites. Ainda que não deixem isso transparecer. Por isso, os pais devem intervir quando necessário, sem nenhuma culpa”, afirma Mara.
Além de comunicar de maneira clara, direta e objetiva a sua decisão, justificando-a brevemente, os pais devem considerar um outro cuidado nessa conversa com o adolescente que faz questão de nadar contra a maré.
“Muitos pais acabam entrando em uma espécie de competição para ver quem pode mais. Isso é extremamente nocivo para a relação. É preciso que os pais lembrem-se sempre de sua posição e ajam com maturidade e bom senso”, afirma Solange de Melo Miranda, pediatra com habilitação em saúde do adolescente e membro do Núcleo de Saúde do Adolescente do Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Nas situações de confronto, vale a pena fazer alguns tratos para persuadir o adolescente a agir da forma mais adequada. Os pais podem combinar que, se o jovem melhorar as notas no colégio ou participar mais das atividades de lazer da família, por exemplo, vai ganhar o direito a voltar mais tarde para casa quando sair à noite -de vez em quando.
Nessa conversa, também é importante combinar previamente qual será a situação caso uma das duas partes não cumpra com o combinado. “Uma boa pedida é começar a dar mais responsabilidades para o seu filho e, à medida que ele dá conta, oferecer a ele o prêmio da independência”, diz Tiba.
Para José Alcione Macedo Almeida, ginecologista especializado em adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo, argumentar e negociar com o adolescente dá mais trabalho do que exigir obediência, mas é o melhor caminho.
“É a partir desse jogo que se estabelecem as melhores relações entre pais e filhos. Sem contar que é no diálogo que, além de ensinar, aprendemos muito com os nossos jovens”, afirma o especialista.

domingo, 24 de abril de 2011

“Adolescência” – Despertando Potencialidades


A adolescência é definida pela passagem da infância para vida adulta. É um período de transição. E é neste período que o adolescente efetuará suas escolhas no mundo. Definirá a identidade sexual, profissional e ideológica. E junto a isto surgirá a crise dos prós e contras de cada escolha. Enfim, ele está entrando no mundo adulto – desejado e temido – deixando definitivamente sua condição de criança.
Toda esta mudança leva o adolescente a ter uma relação diferente com os pais, professores, amigos, etc. Em contra partida, esse jovem também será cobrado e solicitado de forma diferente por estas pessoas. Em um momento é tratado como criança, em outros é cobrado como um adulto.
É um período de contradições, acompanhado de sentimentos ambivalentes, dolorosos, caracterizados por mudanças familiares e sociais. Muitas vezes demonstra sua confusão através de comportamentos de rebeldia.
Surge aqui a cobrança pela independência, responsabilidade, escolha profissional, amizades, entre outros, o que deixa o adolescente mais confuso, pois até então contava com um apoio familiar e social, completamente diferentes.
O adolescente passa então a refugiar-se em seu mundo interno e a manifestação de seu comportamento dependerá da aceitação ou rejeição do meio social e familiar. É comum que ele crie um mundo próprio, à parte, criticando o adulto e hostilizando o infantil.
Esta transição é geradora de dúvidas, angústias e medos. É a busca pela própria identidade, momento em que também escolhe seus modelos ideais. Modelos estes que eram os pais, e agora passam a ser educadores, ídolos musicais, artistas e seus iguais (membros do seu grupo).
O adolescente entra em um período racional, crítico do mundo acompanhado de mudanças também corporais e hormonais. Tudo a sua volta está mudando: a atenção dos pais não é a mesma, o interesse pelos brinquedos e brincadeiras se modifica, seu corpo está em transformação.
As experiências da infância, sua relação com os pais ou cuidadores e sua socialização, influenciam muito as experiências e comportamentos vividos na adolescência. Os alicerces construídos anteriormente (durante a primeira infância), serão a base para uma passagem saudável, com conflitos inerentes, mas enriquecedores e cheios de possibilidades. Porém, se esses alicerces não foram bem construídos pela família, tornando o adolescente sem limites, sem responsabilidades e sem respeito ao próximo, o trabalho se torna mais difícil, mas não impossível. Isto porque, nesta fase a disponibilidade e a criatividade para mudanças e construções estão mais afloradas. O adolescente apresenta uma grande necessidade de aprender e de adquirir o que é “novo” e que seja então, da maneira mais adequada possível: com construção de conhecimento saudável, com troca de informações, autoconhecimento, respeito ao próximo e amor à vida.

Fonte: texto de  Luciana de Jesus Alves Davi - psicóloga e psicopedagoga clínica

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A difícil arte de lidar com os adolescentes






A palavra “adolescência” tem dupla origem etimológica e caracteriza muito bem as peculiaridades desta etapa tão dolorosa e ao mesmo tempo deliciosa da vida. Esta palavra vem do latim ad (a, para) e olescer (crescer) significando a condição ou processo de crescimento. Adolescência também deriva de adolescer, origem da palavra adoecer. Adolescente do latim adolescere, significa adoecer, enfermar. Temos assim, na origem desta palavra, um elemento para pensar esta etapa da vida: Aptidão para crescer (não apenas sentido físico, mas também psíquico) e para adoecer (em termos de sofrimento emocional, com as transformações biológicas e mentais que operam nesta fase).
Esta é a etapa mais difícil e ao mesmo tempo emocionante do desenvolvimento humano. Nesta época da vida, o sujeito, já não é mais criança e ainda não é um adulto. Mesmo em idade adulta, demoramos muito a sermos de fato um adulto, pois, chegar lá leva muito tempo, e é um processo onde em alguns quesitos, talvez, atingimos este amadurecimento, e noutros, ainda não. E claro que nunca alcançamos a maturidade completamente, pois, a possibilidade de evolução humana é, a meu ver, infinita.
Os jovens vivenciam este período acreditando que tudo é possível, e por isso mesmo, oscilam tanto entre os sentimentos de onipotência e impotência, pois, num primeiro momento, sonham que são muito poderosos e que atingirão suas mais utópicas aspirações. Na sua imaginação tudo acontece muito rápido, sem muitas batalhas, afinal, eles não têm paciência para esperar, eles querem resultados imediatos, no entanto, quando percebem que há um caminho a percorrer, e como toda conquista exige um empenho, eles acabam se frustrando consigo mesmos em suas expectativas: no seu poder de sedução, nas suas capacidades e nos seus recursos. E assim, eles podem despencar desde as mais altas aspirações até o mais profundo dos abismos.
Os adolescentes vivem intensas emoções, ora sentindo-se heróis e salvadores do universo, ora transformando-se em fracassados e incapazes. Estes jovens, ou sentem-se os melhores, ou os piores, não possuem o discernimento do meio termo, não experimentam o teste da realidade, eles vivem muito mais nas suas fantasias do que no mundo real. Eles estão com os hormônios à flor da pele e precisam de fortes emoções, ou então o oposto disso – são capazes de permanecer durante longos períodos trancafiados em seus quartos, sem ânimo para nada, “simplesmente” se adaptando a nova condição de ser
Ok! Este conhecimento é importante, tudo bem, mas, e agora? O que fazemos com essa informação? Na prática, no que ela pode ser útil? Nas próximas linhas você encontrará alguns itens sobre como funciona o adolescente e como lidar com este, dificílimo e, ao mesmo tempo, encantador ser:
1- O adolescente na escola, ou em casa, quer provocar as autoridades, seja o professor, orientador, bedel, diretor ou os pais. Ele precisa disto para se testar e também para provar aos colegas que ele “é o Bom”. – Se as autoridades entrarem no mesmo jogo e também quiserem provocar o adolescente, devolvendo na mesma moeda, como por exemplo, “mostrar quem é que manda aqui”, não haverá benefício algum para nenhum dos lados. Isto seria o equivalente a uma guerra de braço. A maneira de lidar com a presunção do adolescente é: não retribuindo com a mesma moeda, pois isto só reafirmaria esta sua maneira infantil de ser. Afinal: “se este “adulto” também age assim, deve ser isto mesmo. Esta conduta de afronta por parte de um adulto, só aprova este jeito arrogante de ser no adolescente” A maneira útil e produtiva de lidar  
com o adolescente rebelde é: Procurar a verdade sobre o que se passa com ele, e apresentá-la, por exemplo: – “Percebo a sua necessidade de me provocar, podemos até conversar sobre isso, mas, não estamos aqui para nos desafiarmos, então vamos ao que realmente interessa, ao que é produtivo e útil”… Nada substitui uma conversa sincera, sem a necessidade de impor moralismos. Um adulto que precisa se fazer valer da moral torna-se chato, irritante e tudo o que vai conseguir do adolescente será certo desprezo. Para não cair nesta categoria, sugiro um diálogo interno, de você com você mesmo, ao lidar com adolescentes, ou com o outro de modo geral. /como se dá este diálogo interno? É útil questionar-se daquilo que se diz e das atitudes que se toma, provavelmente este questionamento interno deixará a pessoa com algumas dúvidas e um tanto confuso, e esta forma de ser é muito mais favorável do que qualquer certeza absoluta, pois, alguém cheio de certezas estará fechada para outras possibilidades. Isto a torna um ser psiquicamente morto e praticamente chato, isto é, sem flexibilidade. E o adolescente, ou qualquer outra pessoa, tende a se esquivar e evitar o contato com alguém rígido ou inflexível.
2- Estes jovens precisam reasseguramento. Afinal, eles se sentem tanto seguros (na fase onipotente) quanto inseguros (na fase impotente), depende do seu momento. Além disso, eles desconfiam muito dos próprios recursos. – Vale à pena oferecer este reasseguramento, se ele de fato merecer, mas, nunca encobrir as falhas. “Por exemplo: -” Seu trabalho está muito criativo, você realmente tem uma imaginação e tanto. Mas há muitos erros de gramática. É uma lástima que estes erros possam tirar o brilhantismo desta redação. “Eu sei que dá trabalho, e talvez você ache meio chato estudar gramática…” (legitimar os sentimentos dele, não entrar naquele discurso: “tem que estudar e pronto, o que você sente não importa”). Continuando: “podemos pensar numa maneira mais interessante de estudar, talvez, você possa estudar com o Pedro que vai bem em gramática”. “Eu acredito que você daria um bom escritor”. . (se a colocação for verdadeira, é claro). Falar a verdade, a respeito das capacidades do adolescente, quando colocada de forma séria e franca, pode dar um belo empurrão no seu percurso de vida.
3- Ele precisa de desafios. – É importante que ele veja os estudos como um desafio. Ele precisa sentir-se instigado a querer conquistar. Adolescente necessita encarar o aprendizado como uma conquista. Para isso, o professor deve amar o que faz, tanto ensinar como também o assunto que domina. Porém, infelizmente, nem sempre é possível encontrar profissionais com este perfil, entretanto, o professor pode desenvolver estas habilidades, através de orientações para professores que levem a reflexão. Há possibilidade de elaborar conversas e palestras para os professores. Afinal, transmitir um conhecimento, sem dúvida nenhuma, é uma arte
4- Os hormônios podem atrapalhar a concentração nos estudos, ou o oposto, podem ser utilizados, justamente, para vitalizar a energia colocada no aprendizado. – O jovem tem muita energia, se ele receber motivação adequada, poderá canalizar esta força para aprender, Os próprios professores podem auxiliar o aluno a desenvolver este desejo do saber. O sexo oposto está em alta, nesta fase da vida, e isto pode ser usado a favor dos estudos. Como? O adolescente pode “aparecer” porque é bom/boa em matemática, ou em qualquer outra disciplina. O problema é que muitos querem aparecer como “palhaços”, isto acontece porque não confiam suficientemente em suas capacidades intelectuais, e/ou porque sua auto-estima está comprometida, e/ou porque procuram o caminho mais rápido para atingir seus objetivos e como veremos mais adiante, tudo o que vem rápido também acaba brevemente (não tem permanência e sustância). Eles/elas pensam que é mais fácil aparecer como palhaços do que sabichões, só que estão muito enganados, pois, as meninas/os podem até rir na hora da brincadeira, mas é momentâneo, logo isto acaba e as seqüelas serão: elas/eles vão preferir aqueles que aparecem de forma mais positiva, além disso, estes irão “chorar” depois, tanto pelas notas baixas, quanto pela perda de tempo em suas vidas e ao amadurecerem perceberão que não é interessante aparecer como um palhaço, só porque não havia outro jeito de aparecer.
Falando assim, fica parecendo uma lição de moral, porém, uma boa conversa, sem apontar o dedo no nariz do adolescente, nem abusar do poder, mas, perguntando, com verdadeiro interesse, o que se passa, querendo de verdade escutar o jovem é o caminho para auxiliá-lo. Ele quer e precisa ser levado a sério, mesmo que a principio ele mesmo não se leve, mas, uma
vez que outra pessoa o considere importante, o recebimento deste olhar, é simplesmente transformador.
5- Os adolescentes estão completamente voltados ao prazer e não para a realidade – ou seja, querem prazer imediato, não conseguem perceber que este tipo de prazer é fantasioso e se desfaz da mesma maneira com que se fez, ou seja, imediatamente. O prazer que vem através de algum esforço é real e durável. -
Se  esta conversa lhe parece muito difícil. Então, vou falar da minha experiência com adolescentes, mesmo porque, não poderia falar sobre qualquer outra coisa – No meu consultório, costumo, antes de qualquer coisa, ouvir, de verdade, as questões do adolescente, seus dramas e histórias, que podem parecer tolas aos olhos de um adulto, mas, sei que nelas contém todo o universo deste adolescente. Com isso em mente, posso levá-lo tão a serio quanto ele próprio, ou ainda mais. Assim, através de validar seus sentimentos, suas fantasias, angustias medos e ansiedades, consigo um encontro com este adolescente. Se há encontro, significa que nós dois nos descobrimos um com o outro. Eu o escuto e agora, ele também pode me escutar e apreender o valor do real prazer.


Fonte: Texto de Léa Michaan