Quantas vezes você já passou por aqui?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Com adolescente " do contra", é preciso aprender a dosar autoridade e flexibilidade

Bater de frente pode ser uma forma de o adolescente chamar atenção para suas necessidadesAcredite: não é só para infernizar a vida dos adultos que o adolescente insiste em contrariar as opiniões dos pais. Segundo a psicóloga Mara Pusch, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), esse é um comportamento que indica que eles estão se desenvolvendo bem, de acordo com o esperado para a fase.
“No processo de criação da identidade, o adolescente usa os pais como referência. Porém, como quer mostrar que tem seu próprio ponto de vista, a primeira reação é criticar o que quer que os pais digam ou façam”, afirma Mara. A boa notícia é que, em um segundo momento, o jovem pode voltar atrás em muitos de seus posicionamentos e acabar acatando as decisões dos adultos, depois de refletir um pouco.
Para o psiquiatra Içami Tiba, autor de diversos livros sobre educação, entre eles “Quem Ama Educa: Formando Cidadãos Éticos” (Integrare Editora), filhos que insistem em contrariar o tempo todo podem estar pedindo um pouco mais de liberdade.
“Os filhos ficam um pouco inseguros em crescer. Mas há pais que sofrem ainda mais ao constatar que eles estão mudando e continuam tratando o adolescente como se ele fosse criança", diz Tiba. Para o psiquiatra, quando o pai não faz questão de se aproximar e insiste em restringir a liberdade, sem dividir responsabilidades com o filho, uma das maneiras que o jovem encontra para chamar a atenção sobre suas necessidades é bater de frente.

Escolha os conflitos

Diante dessa situação, manter a cabeça fria e refletir sobre a postura do jovem, antes de tomar qualquer atitude, é o mais importante. Os especialistas afirmam que, para evitar conflitos que desgastem demais a relação, o essencial é discernir quando é o momento de fazer valer a sua opinião, independentemente de o jovem concordar ou não com o seu posicionamento, e a hora de ser flexível e deixar o adolescente escolher, de acordo com a vontade dele.
“Algumas questões não podem ser negociadas, como ir ao dentista ou ao aniversário de 70 anos do avô. Em outras situações, no entanto, os pais devem pensar se vale a pena entrar em um embate. Se a família vai a um churrasco qualquer, com pessoas que o jovem não conhece, por exemplo, não há nada demais em liberá-lo para sair com os amigos”, diz Mara Pusch.
Nessas horas, é fundamental que o adolescente tenha o direito de se manifestar, mesmo sabendo que nem sempre sua vontade prevalecerá. Ao manter a decisão tomada, à revelia da opinião contrária do filho, é importante que os pais sejam firmes no momento de se colocar, que expliquem a opção feita com argumentos e que estejam convencidos de que estão fazendo o melhor para o adolescente, ainda que isso vá contra os desejos dele.
“No fundo, os filhos gostam muito de saber que têm alguém que se importa com eles e se sentem seguros ao receber limites. Ainda que não deixem isso transparecer. Por isso, os pais devem intervir quando necessário, sem nenhuma culpa”, afirma Mara.
Além de comunicar de maneira clara, direta e objetiva a sua decisão, justificando-a brevemente, os pais devem considerar um outro cuidado nessa conversa com o adolescente que faz questão de nadar contra a maré.
“Muitos pais acabam entrando em uma espécie de competição para ver quem pode mais. Isso é extremamente nocivo para a relação. É preciso que os pais lembrem-se sempre de sua posição e ajam com maturidade e bom senso”, afirma Solange de Melo Miranda, pediatra com habilitação em saúde do adolescente e membro do Núcleo de Saúde do Adolescente do Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Nas situações de confronto, vale a pena fazer alguns tratos para persuadir o adolescente a agir da forma mais adequada. Os pais podem combinar que, se o jovem melhorar as notas no colégio ou participar mais das atividades de lazer da família, por exemplo, vai ganhar o direito a voltar mais tarde para casa quando sair à noite -de vez em quando.
Nessa conversa, também é importante combinar previamente qual será a situação caso uma das duas partes não cumpra com o combinado. “Uma boa pedida é começar a dar mais responsabilidades para o seu filho e, à medida que ele dá conta, oferecer a ele o prêmio da independência”, diz Tiba.
Para José Alcione Macedo Almeida, ginecologista especializado em adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo, argumentar e negociar com o adolescente dá mais trabalho do que exigir obediência, mas é o melhor caminho.
“É a partir desse jogo que se estabelecem as melhores relações entre pais e filhos. Sem contar que é no diálogo que, além de ensinar, aprendemos muito com os nossos jovens”, afirma o especialista.

Não caia na tentação de dar a seu filho tudo que ele pede; dizer "não" educa!

 

Se sentir o centro das atenções pode fazer seu filho mais feliz do que ganhar o presente mais caro da loja


Em plena semana do Dia das Crianças, comemorado no dia 12 de outubro, você deve estar às voltas com uma lista imensa de pedidos de presentes, resolvendo o que quer ou o que pode comprar. Mas já parou para pensar no que faz seu filho feliz de verdade? Ter o brinquedo mais tecnológico do momento? O mais caro da turma inteira? Ganhar o primeiro celular, mesmo que o equipamento não seja indicado para a faixa etária dele?
Se a sua resposta foi “sim” a alguma dessas perguntas, é bom parar e reavaliar sua postura. Você pode estar valorizando coisas que ele nem considera importantes para estar feliz no dia a dia e, pior, ensinando que o consumo ocupa um lugar muito mais importante do que aquele em que deveria estar. “Os pais têm de ter valores muito sólidos. Têm de entender que eles são a principal referência na vida da criança. É neles que ela vai se espelhar em primeiro lugar", afirma Laís Fontenelle Pereira, psicóloga do Instituto Alana, ONG que atua em defesa da criança.
 
Ver uma criança feliz é muito mais simples do que muitos pais imaginam. Pesquisa recente e inédita realizada pelo Datafolha a pedido da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) ouviu 1.525 crianças, de quatro a dez anos, de todas as classes sociais, de 131 municípios brasileiros, e revelou que o dia em que 96% delas se sentem "muito alegres" e "alegres" é o dia do aniversário, quando são o centro das atenções e estão rodeadas pelos amigos e pela família.

Praticar esportes, brincar com os amigos, férias escolares e assistir à televisão foram os outros momentos, nessa ordem, vencedores na escala de felicidade no levantamento. Além disso, 71% das crianças entrevistadas disseram se sentir "muito tristes" e "tristes" quando estão longe da família. "Uma data como o Dia das Crianças deveria ser dedicada, simplesmente, a relembrar o direito de ser criança, comemorada com brincadeiras e compartilhamento de momentos de alegria entre pais e filhos", diz a psicóloga Silvia Frei de Sá, líder de projetos de educação do Instituto Akatu, ONG que defende o consumo consciente.

Eu quero! Eu quero! Eu quero!

Os números da pesquisa mostram uma realidade muito bem-vinda, mas, na prática, a criança está inserida em um universo de desejo em que basta ligar a TV para ficar exposta a uma enxurrada de propagandas que desperta nela a vontade de ter boa parte daquilo que vê. O resultado? Pedidos e mais pedidos.
Tem explicação. "Até os oito anos, ainda não há a capacidade de abstração necessária para diferenciar um conteúdo publicitário de um que não é. Se, nessa idade, a criança vir uma propaganda em que seu personagem favorito transmite a ideia de que ela tem de comprar determinado produto, ela vai querer comprar", diz a psicóloga Laís Fontenelle, do Alana.

"Ela é constantemente estimulada a consumir e, no geral, está mais interessada na experiência positiva que a publicidade transmite do que no produto”, afirma Silvia Sá, do Akatu.

A importância do não

Como não ceder aos apelos de consumo do filho que, na maioria das vezes, tem o poder de dobrar os pais pela emoção? "O pai e a mãe são os adultos da relação", fala Laís. "São eles quem sabem o que pode e o que não pode, que têm de dar o exemplo correto e ensinar valores", diz a especialista.

"O ponto negativo é que o relacionamento atual entre a criança e seus pais está muito ligado à questão do comprar, do ter. Ter para ser, como se a quantidade de objetos fizesse a gente melhor como pessoa", afirma a pedagoga Roselene Crepaldi, conselheira da Aliança pela Infância e doutora em educação infantil. Para agravar a situação, os pais têm cada vez mais medo de dizer "não" ao filho, já que muitos
carregam a culpa de não estarem presentes como gostariam no dia a dia.
Negar um pedido da criança, sempre que achar pertinente, é muito importante. “Faz parte do desenvolvimento infantil se habituar às regras de convivência. À medida que o pai estabelece um limite, a criança passa por uma frustração que contribui para seu amadurecimento", afirma Saul Cypel, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo, e consultor da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, voltada à primeira infância. "Pais têm medo de falar 'não' porque receiam quebrar a relação com o filho, mas faz parte", diz Roselene, da Aliança pela Infância. "O dinheiro não pode ser mais importante do que o convívio".
Diálogo: simples e eficaz
O diálogo ainda é a melhor opção. "Quando uma coisa faz sentido para a criança, por mais que a chateie ou a frustre, ela aceita. Os adultos acabam não tendo muita paciência, mas têm de sentar com o filho e explicar os motivos de ele não poder ter determinada coisa", diz Silvia.
Na tarefa de driblar o consumo infantil, fique atento à questão do "duplo comando", conforme denomina Laís, do Instituto Alana. "A criança aprende com os exemplos. Não dá para proibi-la de comprar o que quer e sair de outra loja carregado de sacolas com coisas para você. É importante que os pais tenham coerência entre o que falam e o que fazem".
Se o Dia das Crianças pode ser comemorado com presentes? Pode, dizem os especialistas. O único ponto é usar de ponderação, colocando o consumo em seu devido lugar, que é bem depois das relações familiares.

Mesada aumenta chances de sucesso financeiro na vida adulta

Muitos pais se perguntam se devem dar mesada aos seus filhos, em que momento e qual seria a quantia exata para cada idade. Entrevistamos a economista e coach financeiro da Mais Money, Christiane Monteiro Spíndola Marins, para falar sobre o assunto.
De acordo com a especialista, a mesada traz vários benefícios ao entendimento da criança sobre o valor do dinheiro . “Além de desenvolver o senso de responsabilidade, a administração de uma mesada pode ensinar o quanto pode ser difícil fazer o dinheiro render quando não se tem controle sobre os próprios impulsos de consumo”, explica. Christiane ainda diz que “quanto mais cedo for introduzido esse processo, maior é a chance de uma vida adulta com saúde financeira”.
Ela fala que primeiramente é preciso começar a educação financeira das crianças próximo aos dois anos de idade – quando começam a demonstrar desejos próprios – mostrando o processo da troca do dinheiro por produtos. “Também é interessante explicar para elas, por meio de conversas, jogos e brincadeiras, que nem tudo que querem ou assistem na TV é para comprar. É preciso estimulá-las a refletir e pensar sobre como utilizar o dinheiro”, recomenda.

Christiane diz que quando a criança começa a levar dinheiro na escola, para comprar o lanche e até mesmo figurinhas e outros itens que deseja, pode ser o momento de inserir a semanada. “No começo, o ideal é que seja semanada para que a criança aprenda aos poucos como administrar o seu dinheiro. Depois desse período de adaptação, o dinheiro pode ser quinzenalmente e até chegar
ao período mensal”, diz.

“Os pais devem começar com pequenas quantias semanais e gradativamente ir aumentando o valor e as responsabilidades”, indica Christiane. A especialista ainda comenta que, como se deve mostrar para a criança a importância da conquista dos valores que recebem, é possível associar a semanada ou mesada a valores de pequenos trabalhos. “Entretanto, não é interessante associar esse dinheiro a desempenho escolar, pois o estudo deve ser incentivado pela importância que ele terá na vida dessas crianças”, alerta.

A especialista lembra uma falha muito grande que acontece em algumas famílias. “Muitas crianças e adolescentes gastam além da conta e passam a recorrer sistematicamente aos pais para conseguir mais dinheiro. Se os pais cedem aos pedidos, o filho não aprende a controlar os impulsos e cria a ilusão de que pode gastar sem limites. Quando isso acontece, a mesada perde a sua função”, diz.

Como educar os filhos financeiramente

Christiane define em alguns passos e fases como deve ser feita a educação financeira dos filhos a partir dos primeiros anos de idade.

- O primeiro passo é ensinar as crianças na educação financeira, mostrando o processo de troca do dinheiro por produtos. Esse momento visa iniciá-las no contato com o dinheiro.
- O segundo processo deve mostrar as crianças como gastar o dinheiro de forma responsável, capacitando-as a distinguir o que é desejo do que é necessário.
- A terceira fase é ensinar a poupar, a entender o valor das coisas, o limite e a disciplina.
- A última fase consiste em ensinar a como doar tempo, talento e dinheiro.
- A partir do ensino fundamental, devem ser introduzidas noções de economia doméstica, consumo, como comprar melhor, aprofundar temas como aprender a fazer melhores escolhas na hora de comprar e definir pequenos objetivos.
- Do segundo grau em diante, os jovens devem aprender sobre os princípios básicos de economia, finanças, investimentos e a se planejarem para o futuro que desejam ter.
- No nível acadêmico esses temas devem ser mais aprofundados, como montar um planejamento pessoal de curto, médio e longo prazo, definir objetivos para a vida, que profissionais buscar para a resolução de problemas, quando existirem.

Mentiras dos pais podem fazer com que criança desenvolva compulsão por mentir


Existe um período da vida da criança onde fantasia e realidade se misturam. Até aproximadamente os seis anos ela vai construindo as histórias e seus argumentos naturalmente usando suas vivências, mas também sua imaginação. Por exemplo: se um coleguinha conta que assistiu a um determinado filme e começa a narrar a história, como foi, o que mais gostou… Facilmente a criança que escuta começa a fantasiar e construir no seu mundo imaginário o filme em questão como se também o tivesse assistido.
Depois desta idade ela ainda pode brincar com sua fantasia, mas aos poucos será possível perceber que essa fase passa
e o que vai dar lugar a ela é uma postura moralista e até radical com relação às “verdades” a sua volta. A introdução deste artigo fala de um desenvolvimento natural, o que não quer dizer que é sempre assim que acontece com todas as crianças. Algumas delas tendem a ser mais fantasiosas nesta fase do que outras, sendo assim são mais expansivas e criativas dando “asas” à imaginação.
A conversa com a criança será fundamental desde que os pais cuidem para
não expô-la na frente de outras pessoas e muito menos rotulá-la de mentirosa
“E se depois desta idade a criança continua mentindo?”, alguns pais podem estar se perguntando. Seria impossível pensar que as crianças não continuam mentindo ou omitindo algumas situações. Certamente ela mentirá para se defender ou omitirá alguma situação para se preservar. Desta forma a mentira aqui já se torna intencional, usada como mecanismo para “resolver” seus problemas. Neste ponto a intervenção dois pais será fundamental. É bom lembrar que comumente a criança também mente por medo do castigo ou para não sofrer acusações.
Como os pais devem agir? Os pais devem agir sem grandes alardes. Devem ser firmes, porém afetuosos. Devem falar à criança sobre o valor da verdade e a importância da confiança para a relação entre pais e filhos, da relação entre amigos. Lembre: a idéia ou a ação da criança pode ser repudiada, mas o afeto não. Se ela está mentindo é porque não está conseguindo elaborar seus sentimentos de outra forma.
A conversa com a criança será fundamental desde que os pais cuidem para não expô-la na frente de outras pessoas e muito menos rotulá-la de mentirosa. O importante é que a criança possa confiar nos pais e é preciso que isso seja dito a ela. No entanto dizer não é o suficiente, pois ela precisará perceber na forma como os pais agem se pode de fato confiar neles.
Outro motivo que leva a criança a mentir é quando ela tem na família pais que também mentem. A criança passa a mentir porque introjeta a mentira como algo permitido. Sendo assim se o pai, por exemplo, pede para ela mentir ao telefone dizendo que ele não está em casa, por que ela não pode mentir para professora dizendo que não fez o dever de casa porque estava doente?
A compulsão por mentir pode tornar-se uma dependência como qualquer outra, como por exemplo, compulsão às drogas, a comida, ao jogo.
Não poderíamos ter a presunção de nomear todos os motivos que levam uma criança a mentir, mas penso ser importante apresentar os que mais aparecem e que expressam dificuldades no que diz respeito à constituição da criança: não querer assumir
a responsabilidade, medo de ser punido, de perder o amor dos pais, pelo sentimento ruim vivido quando falou a verdade e não foi compreendido, chamar atenção, punir um dos familiares, pressão familiar etc.O excesso de mentiras sinaliza que algo não vai bem com relação ao desenvolvimento emocional da criança, do adolescente e até mesmo do adulto. A compulsão por mentir é patológica e precisará ser acompanhada. Junto à mentira outros sintomas como, por exemplo, o comportamento antissocial, inconstância nas relações e mania de grandeza podem aparecer. Crianças que mentem geralmente apresentam baixa tolerância à frustração, podem ser agressivas e apresentarem dificuldades em atender às ordens que lhes são dadas. Por trás desses sintomas o que temos, na maioria das vezes, é uma criança insegura que não estão satisfeita com a sua vida. Mente para criar uma personagem que pode satisfazê-la, bem como satisfazer aos que estão a sua volta. Geralmente pensa que não será amada pela família, reconhecida pelos colegas se for ela mesma.
A compulsão por mentir pode tornar-se uma dependência como qualquer outra, como por exemplo, compulsão às drogas, a comida, ao jogo. A criança, o jovem ou o adulto que mente, sabe que está mentindo, mas saber, no caso das compulsões, não é o suficiente. Parar de mentir só será possível quando aceitarem as suas precariedades.
 
Fonte:http://itodas.uol.com.br/mae/mentiras-dos-pais-podem-fazer-com-que-crianca-desenvolva-compulsao-por-mentir-24169.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dividir para somar


A psicóloga Miriam Barros explica a importância de compartilhar e transmitir às crianças atitudes que as preparam para a vida adulta.

Deu um lado os brinquedos se acumulam pela casa,  o guarda-roupa está cheio de peças que não servem. Do outro, a criança reluta em se desfazer do que não é mais necessário.  Não raro com uma lista de desculpas e até choro... Você já viu essa cena! A psicóloga Miriam Barros explica que é preciso mostrar aos filhos que tão importante quanto praticar o desapego  é ensiná-los a compartilhar.
Qual é a importância do dividir para o desenvolvimento da criança ?

Fundamental para viver em grupos, desde cedo devemos entender que não estamos sozinhos e existe o outro,  além de nós. Dividir é entender que precisamos um dos outros para sobreviver.  Portanto as crianças precisam aprender este princípio, que interiorizado aos poucos. A solidariedade é um dos valores mais importantes que deixamos para elas.
Criança que não compartilha é mais ciumenta?
Sim, este sentimento reflete o apego  emocional da criança com objetos ou pessoas. É natural que as menores sejam mais  possessivas.  Porem, à medida que crescem precisam aprender  a dividir, processo difícil que é aprendido aos poucos. Em geral, as crianças com irmãos sabem partilhar melhor, mas dependem do que os pais orientam, assim como também há filhos únicos que sabem dividir muito bem.
Os pais com dificuldades de se desapegar das coisas materiais podem transmitir isso aos filhos?
A postura dos pais é fundamental  para passar quaisquer valores. As crianças aprendem mais pelo exemplo  do que pelas palavras. Por isso, o que ensinamos deve ser coerente com o nosso jeito de viver. As crianças percebem as incoerências e questionam.
Como mostrar a necessidade de se desfazer dos brinquedos velhos, quando os novos chegam?
Combinar com a criança de doar brinquedos quando ganharem outros, explicando que não terão mais função e outras pessoas poderão usá-los. E falar para ela escolher um para guardar de recordação. Isto tem que ser combinado e não imposto, para que a criança não se sinta desrespeitada se os pais se desfizerem de seus  pertences  sem seu consentimento.
Viajar, dormir fora.... Como o desapego aos filhos deve ser praticado pelos pais?
Aos poucos,  filhos e pais devem aprender a  se desapegar uns dos outros.  À medida que a criança cresce tem a necessidade de ir e voltar, de ficar longe e ficar perto. É uma fase normal do desentendimento e um preparo para a vida adulta. O “ ficar longe” deve ser gradativo. Não se obriga uma criança a sair sozinha se ela não quiser. Dormir fora requer cuidados, como esperar a criança aprender falar, contar as coisas, saber se defender, por voltas dos cinco anos, dependendo de suas características. Os pais devem conhecer os pais do amigo onde ele irá dormir e poder telefonar se a criança quiser se comunicar. Se os pais sentirem que a criança não está preparada, eles devem conversar para que ela espere mais um pouco.
Como ensinar as crianças a perder nos jogos?
Sem forçar o filho a ser o número um ou vencedor, explicando a elas que existirão  situação em que ganharão, e em outra, não. Muitos pais não toleram ver o filho frustrado  e tentam compensá-lo com alguma coisa para que se sinta melhor. Aprender  a lidar com a perda e  a frustração ajudará a criança a se tornar mais preparada para a vida adolescente e adulta.
Fonte: Revista Nestlé com você

sábado, 29 de setembro de 2012

Para crescer, tem que frustar!

Cesar Ibrahim é Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com formação psicanalítica. Iniciou a atividade clínica em 1984, com o atendimento de adultos e adolescentes, ampliando o trabalho para a psicoterapia de família. Seu foco é compreender as dificuldades enfrentadas pelos educadores na maneira de conduzir a formação de pessoas, que devem ser capazes de se constituir psiquicamente de forma autônoma. Além disso, trabalha com adolescentes para mostrá-los que a vida também é feita de frustrações.
Nesta entrevista ao Projeto Criança e Consumo, César explica que a fantasia da felicidade constante, muitas vezes incentivada pelos próprios pais, pode ser extremamente nociva à saúde emocional.
Sua rotina de trabalho inclui atendimento clínico e também atendimento a grupos de crianças e adolescentes. Que tipo de questão é abordada nesses grupos? Como funciona a dinâmica?
Eu trabalho com crianças, adolescentes e jovens em atividade clínica, e a prevalência é de atendimento em grupos entre seis e sete pessoas. Abordamos, principalmente, a questão universal dos adolescentes, que é a dificuldade de crescer e de avançar no desenvolvimento emocional, além de assumir as exigências que o mundo vai, pouco a pouco, impondo. Procuro mostrar os caminhos que façam com que os jovens percebam e entendam que certas etapas de acontecimentos da vida, como o fracasso e a decepção, são importantes para o amadurecimento de todos. A resistência é grande, pois minha ideia é mostrar exatamente o inverso do que eles vivenciam e são convencidos a acreditar, que é o conceito de felicidade e alegria apenas, sem frustrações nem tristeza.
Os grupos são formados dentro de escolas ou são independentes?
Exerço um trabalho clínico dentro do consultório e participo também de atividades em universidades, com educadores, terapeutas e profissionais que lidam com crianças e adolescentes. Eventualmente trabalho com escolas, com profissionais de educação, no sentido de contribuir para o desenvolvimento emocional do aluno. Abordamos qual é o papel da escola no psiquismo de crianças e adolescentes e na formação de seres humanos menos suscetíveis a impressões e influências impostas pela cultura do Século 21. Uma cultura que exacerba a fantasia de uma vida excepcionalmente feliz, alegre, agitada e indolor. É isso que nós encontramos no mundo adulto, na farmácia, por exemplo, onde há cura de tudo: da insônia, da tristeza, da depressão, da ansiedade; além de todas aquelas vitaminas que se dá para a criança, como se fossem uma solução para todos os males existentes.
Temos, hoje, muitos problemas na formação de crianças decorrentes do consumismo, incentivado em nossa sociedade de diversas formas. O consumo é um assunto relevante nesses grupos que você atende?
A questão do consumo aparece , mas não de maneira tão direta. No entanto, o consumismo está presente o tempo todo na relação do adolescente com o mundo, e de diversas formas. Hoje, existe uma marca muito da cultura que é a relação entre o prazer e a responsabilidade, o dever. Nesta linha, é importante ressaltar algumas mudanças que ocorreram nos últimos anos. Os tempos atuais, ditos como mais hedonistas, marcaram por completo a relação da família com os filhos. Privilegia-se quase que o tempo inteiro a relação das crianças e dos adolescentes com o prazer. Sendo assim, a preocupação fundamental dos pais de classe média, principalmente nos centros urbanos do mundo ocidental, é a felicidade dos filhos, ou melhor, a ideia do que é felicidade. É como se houvesse uma espécie de ignição de fazer os filhos cada vez mais felizes, produzindo essa fantasia constantemente.
Que impacto essa preocupação excessiva dos pais com o fornecimento do prazer aos filhos pode ter no desenvolvimento infantil?
De maneira geral, essa marca da cultura está diretamente ligada ao imediatismo do prazer, e é claro que isso vai se desdobrar na relação com o consumo. O desejo tende a ser satisfeito sob essa forma materializada, que tem um movimento compulsivo – já que, na verdade, ela é insaciável. O jovem, que troca o tempo todo de objeto de desejo, no fundo persegue essa fantasia idealizada de que haverá uma forma de obter o prazer quase sempre com caráter imediato, e como se isso pudesse compor essa pseudo-felicidade, aquela que os pais esperam para os filhos. O processo funciona como se fosse uma missão que os pais atribuem a eles mesmos para proporcionar uma existência quase analgésica aos filhos, ou seja, uma existência indolor, que não inclua a frustração. O que podemos ver, a partir dessa marca da cultura hegemônica hedonista, é essa tentativa dos pais de injetar uma espécie de anestésico existencial. Seria uma espécie de blindagem emocional comprometida com o prazer o tempo inteiro.
Ainda sobre a preocupação dos pais com a alegria dos filhos, você pode dar exemplos dessa relação entre a busca da felicidade e o consumo?
Um exemplo bastante freqüente é a vontade de trocar de celular, comprar um iPhone, novos produtos eletroeletrônicos ou qualquer outro objeto de consumo. Essa vontade se coloca a serviço dessa ideologia, a princípio muito bem intencionada dos pais, que querem promover a felicidade dos filhos. Eles não sabem como e nem o que fazer, mas acreditam que, se puderem fazer com que os filhos atravessem uma infância e uma adolescência sem dor e sem esforço, a missão está cumprida. No fundo, sabemos que é exatamente o contrário. Para crescer tem que frustrar. Portanto, eventualmente, o desejo deve, sim, ser barrado. Sobre esse assunto, temos tanto o ponto de vista material quanto o ponto de vista emocional, amoroso. Grande parte dos adolescentes se depara com aquela situação típica de vida escolar, que é: o meu objeto amoroso não me quer. E assim se deflagra a relação do sujeito com a inevitabilidade da dor.
Na sua opinião, existe, no ambiente escolar, uma preocupação em ensinar a lidar com o fracasso?
A escola está cada vez mais articulada nessa necessidade de frustrar, principalmente pela recorrência desse assunto. Existe o comprometimento de mostrar que a vida acadêmica dá trabalho e, por isso, exige muita dedicação e renúncia ao prazer imediato, por exemplo. Freud ressaltava muito a importância de a pessoa renunciar o movimento na direção do desejo para poder crescer. Nesse sentido, é preciso mostrar ao jovem que é a renúncia que fortalece e que projeta o ser humano para o seu desenvolvimento. E que o contrário também é verdade – essa fantasia de que a satisfação plena entorpece e paralisa é cada vez mais comprovada clinicamente.
 Em seu trabalho nas escolas existe também a questão da inserção, de que o jovem quer se sentir parte de algum grupo e acredita que a posse de bens ou o comportamento pode influenciar nisso?
Sim, existe. Isso é parte integrante do desenvolvimento. É o que chamamos de tripé da modernidade: fama, beleza e riqueza. O adolescente quase sempre busca ser o popular, o bacana, constituir uma identidade própria. É nesse meio em que ele encontra os seus pares, a partir de quem ele busca aceitação, que ele vai constituir a sua identidade e uma trajetória que seja seguida. Neste aspecto, as substâncias químicas, por exemplo, revelam esse sintoma social do prazer imediato. Resta saber como ela vai agir diante disso. A criança que foi suficientemente frustrada ao longo de uma educação dentro de casa muito provavelmente será capaz de dizer não às substâncias químicas com as quais ela vai, inevitavelmente, se deparar ao longo da adolescência. Ela vai ter segurança e clareza suficientes para agir de maneira consciente. Já aquele que não foi suficientemente frustrado, que não foi contido nesse desejo avassalador, aquele que não foi ensinado e não aprendeu a conviver com a falta provavelmente será mais suscetível a essas substâncias químicas. Sendo as drogas ou os bens materiais , como celular e roupas de marca, o principal objetivo pela busca incessante do prazer. A questão do consumismo é parte dessa busca da humanidade na direção de estabelecer uma relação plena com o prazer absoluto.
Os meios de comunicação, principalmente a televisão, exercem um papel importante nas questões ligadas ao consumismo. Qual é a influência da mídia nessas questões?
Alguns autores tendem a responsabilizar a mídia. No meu entender, a mídia está comprometida com uma série de variáveis. Acredito que a questão não seja exatamente a influência da mídia sobre a criança. Depende muito da maneira como a educação leva a criança e o adolescente a lidar com esses efeitos inevitáveis a que serão submetidos, principalmente dentro de casa. Eu não tenderia a demonizar a mídia. Para mim, o fundamental é como a educação e como a constituição do psiquismo daquela criança se deu no sentido de levar aquele sujeito a lidar com essas variáveis. E aí, sim, a mídia pode ser responsável pela má-formação.
 Os pais e as escolas têm consciência dessa situação, de que muitas vezes eles são os responsáveis pela falta de segurança emocional das crianças e pela falta de maturidade para lidar com os fracassos que enfrentam?
Essa consciência é praticamente inexistente nos pais, infelizmente. Estamos falando de um contexto que é muito específico, de adultos que nasceram no século 20, movidos por expectativas, idealizações, desejos e sonhos de classe média, e de produzir uma existência para os filhos em que nada falte a eles, tanto do ponto de vista material como emocional. Infelizmente, a consciência dessa questão ainda é muito precária. O que vemos com mais freqüência, hoje, são pais comprometidos em atender a demanda dos filhos, como se isso pudesse produzir a felicidade que eles tanto querem construir e fazer ser possível. Muitos deles pensam que o simples fato de não frustrar os filhos fará, automaticamente, com que sejam felizes e tudo dê certo. Já as escolas estão começando a se curvar um pouco mais para isso. Este é um sintoma social, da contemporaneidade, que vai ser cada vez mais discutido pelos educadores e profissionais ligados à escola.
Fonte:  http://www.almanaquedoadolescente.com.br/2010/06/23/para-crescer-tem-que-frustrar/
 

 

 



 
 
 




 


domingo, 16 de setembro de 2012

Dicas Ortográficas



Acento ou assento?

“Acento” é bem diferente de “assento”. Essas palavras são chamadas de homônimos. Isso porque elas têm exatamente a mesma pronúncia. Contudo cada uma possui um significado.

Assento, com “SS”, é parte de um móvel em que se pode sentar. Exemplo: assento de uma cadeira. É também um móvel apropriado para sentar. Exemplo: A sala de projeção tem duzentos assentos.

Já o acento, com “c”, é o sinal gráfico que demarca é a sílaba forte de uma palavra.